“O corpo existe porque pode ser pego”: Um encontro no cuidado de si e do outro.

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Gratuito
o corpo existe botao

Primeiros Socorros

04 de abril de 2020.
8:00 h às 17:00 h
FAMATH
Camila Alves e Fernanda Tibau

Carga horária: 8h

Investimento: R$ 180,00 (com 10% de desconto para alunos e ex-alunos da FAMATH)

Este curso de extensão lança luz para o encontro clínico, que se dá entre analistas e pacientes na
atualidade. Diferente do período moderno, que valorizou sobretudo a interioridade do sujeito, o mundo
contemporâneo volta sua atenção para o corpo, tomando principalmente a superficialidade deste, sua
aparência, um valor fundamental. Esse deslocamento do que se considera como essencial ao humano nos
diferentes períodos traz, certamente, repercussões na configuração da clínica psicológica e na área da
saúde em geral.
A partir das considerações de Bauman (2005) e de suas colocações sobre o que chama de Modernidade
Líquida, vivemos em um momento de liquidez, de inconstâncias, em que os valores, hábitos, sentimentos e
tudo o que diz respeito à vida, incluindo os vínculos interpessoais, não encontram tempo necessário para as
suas consolidações em hábitos, rotinas e formas de agir.
Para Bauman os vínculos já não se prestam a cuidar dos afetos. Ao contrário, são de uma grande fragilidade
e liquidez e, portanto, potenciais fontes geradoras de angústia. Neste caso, a clínica psicológica
contemporânea tem o vínculo como principal desafio a ser trabalhado, tanto a capacidade de vinculação do
analista, quanto do paciente.
É a partir dos ensinamentos sociológicos de Bauman, dos ensinamentos clínicos de Wilhelm Reich e da
clínica Corporal Reichiana que compreendemos a necessidade de incluir no processo terapêutico a análise
da relação, do vínculo e da transferência, que é vivida na relação com o analista.
Acreditamos que uma terapia para ser viva, intensa, profunda e transformadora, como Reich a considera, é
necessário que o terapeuta possa ser vivo e intenso na sua relação com seu próprio corpo, suas sensações
e emoções. Para acompanhar um paciente pelas estradas que por vezes o fazem encontrar com suas dores
e alegrias, é imprescindível que o terapeuta já tenha mergulhado em suas mais profundas sensações e
emoções.
Numa terapia a corporeidade sempre está presente, mesmo que não a levemos em consideração.
Estabelecer conexão com ela é parte de um processo de reconhecimento de sua própria história. É uma
construção, uma investigação e requer uma prática constante. Observar e mudar os padrões, flexibilizar
atitudes, repensar modos de pensar e perceber o mundo são parte deste processo e condição para a
formação de um terapeuta.
A prática clínica ocorre no encontro. Nele, o terapeuta oferece o melhor de si para buscar o melhor do outro.
Este é o lugar onde se alcança seu maior nível de consciência, aqui compreendida como uma consciência
essencialmente corporal. Para isso é necessário despertar o contato consigo e a percepção de que o corpo
possui um funcionamento que muitas vezes independe dos pensamentos, seguindo suas próprias leis
fisiológicas, químicas e emocionais.
Manter-se conectado com seu corpo e com a sua sensorialidade são as bases da psicoterapia reichiana. São
pressupostos que têm a função de aprofundar o atendimento clínico aumentando a capacidade de conexão
com o paciente. Nosso corpo se expressa muito além das palavras. Só precisamos aprender a lê-lo.

Objetivo Geral: A partir de experimentações corporais e de discussões teóricas fundamentadas na psicoterapia corporal reichiana buscamos vivenciar o contato consigo e com o outro como fundamento essencial da prática clínica.

Objetivos Específicos:
– Aprofundar o contato com os próprios sentimentos e sensações através de experimentações corporais e exercícios de respiração.
– Promover um debate acerca da importância da corporeidade – do terapeuta e do paciente – na clínica reichiana.
– Perceber como a presença do outro nos afeta através da observação dos próprios pensamentos e das reações corporais produzidas no encontro.

A concepção do programa baseia-se na importância de considerar o cuidado do terapeuta como um aspecto
central na sua prática clínica. O cuidado, aqui, refere-se à necessidade do terapeuta de estar conectado com
seu corpo e suas emoções para, então, poder acompanhar o outro, nessa aventura que é nos conhecermos.
Na prática docente e clínica observamos o quanto os alunos, supervisandos e pacientes desconsideram a si
mesmos e seus corpos como ferramenta de trabalho.
Este programa torna-se ainda mais crucial diante de um contexto social que apresenta um enorme crescimento de demandas clínicas que abarcam sintomas predominantemente corporais, como ansiedade, pânico, depressão, burnout, entre outros. Distúrbios estes que colocam o corpo no centro da prática clínica.
Junto com estas demandas surge o desejo de resultados rápidos e eficazes. Esta expectativa é gerada, em grande medida, pelo afastamento do indivíduo contemporâneo de suas próprias sensações. Estes sintomas são a consequência, e não a causa do problema. Trata-se de doenças que se desenvolvem lentamente e que
possuem uma importante função emocional. Na maioria das vezes só são notadas quando se tornam agudas. A possibilidade de conhecer as próprias emoções, de conhecer e se conectar com o corpo e sua linguagem, é parte essencial do caminho de autoconhecimento e cuidado do terapeuta e do paciente.
A partir dessa perspectiva, torna-se fundamental pensar e repensar o encontro do analista consigo mesmo e com o outro, ressignificando os vínculos e seus efeitos na clínica psicológica.

Camila Alves e Fernanda Tibau

Mestre em Psicologia e Mestre em Memória Social.

Descrição de sua experiência acadêmica e profissional:
Camila Alves é Psicóloga e Mestre em Psicologia, formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Atualmente é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal
Fluminense na linha de pesquisa: Política, Subjetividade e exclusão social. Atua como Psicoterapeuta
Reichiana e leciona na graduação de psicologia das Faculdades Integradas Maria Thereza (FAMATH).
Fernanda Tibau é Psicóloga e Historiadora. É formada, respectivamente, pela Universidade Estácio de Sá e
pela Universidade Federal Fluminense (UFF). É Mestre em Memória Social pela Universidade Federal do
Estado do Rio de Janeiro (Unirio). E atua como Psicoterapeuta Reichiana clínica.

Alunos e profissionais de psicologia interessados no desenvolvimento e aperfeiçoamento do exercício da atividade clínica pela via das psicoterapias corporais.
Número de vagas: 20

Carga horária: 4 horas.
Investimento de 180,00 com desconto de 10% para alunos e ex-alunos da FAMATH.

04 de abril de 2020.
8:00 h às 17:00 h
FAMATH
Camila Alves e Fernanda Tibau

Exercícios de sensibilização corporal individuais e em grupo, que servem como dispositivos de experimentação direcionados aos debates teórico-conceituais propostos.

A seleção se dará mediante a realização da inscrição.
Como pré-requisito será exigido que o participante esteja cursando a graduação de Psicologia ou seja profissional da área.

Detalhes do Curso

  • Leituras 0
  • Quizzes 0
  • Duração 50 horas
  • Nível de Habilidade Todos os níveis
  • Linguagem Português
  • Alunos 0
  • Critérios de avaliação Sim

You have 9 semanas 6 dias remaining for the course

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