Ferramentas para pesquisa com acervo multimídia

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Os conhecimentos base para trabalhar com pesquisa cuja análise cria ou depende de um banco de dados em construção. São muitas as ferramentas intelectuais e tecnológicas que podem ajudar o pesquisador desde preparar um projeto de pesquisa que lida com seres humanos até o armazenamento e análise dos dados multimídia coletados – e elas merecem ser divulgadas. Isto pois mesmo bons profissionais e pesquisadores muitas vezes acabam se perdendo na análise de suas pesquisas. Com as ferramentas adequadas, porém, as ‘dificuldades’ de lidar com um corpus multimídia pode se transformar em uma experiência de enriquecimento pessoal e acadêmico.

Objetivo Geral: O objetivo deste curso é promover um treinamento nas mais modernas ferramentas de organização, tratamento e análise deste tipo de material.
Objetivos Específicos: Levar os alunos a considerar primeiramente a origem e a obtenção dos dados que utilizam em suas análises. Conscientizar sobre as responsabilidades éticas de um trabalho que envolve seres humanos. Apresentar ferramentas atuais de hardware e software para produção, anotação, análise e disponibilização de um acervo multimídia. Minimizar o esforço e garantir a validade de uma pesquisa através da solidez do acervo de onde se registraram os dados.

Profa. Responsável: Nathalie Vlcek
Titulação: Doutorado (UFRJ)
Experiência acadêmica e profissional: Doutora em Linguística pela UFRJ, fui coordenadora do projeto de documentação linguística do Tuyuka (língua indígena amazônica) pelo HRELP (SOAS, Universidade de Londres). Possuo largo conhecimento nas ferramentas de coleta, armazenamento, tratamento e anotação de dados orais obtidos em campo – conhecimentos que faltam muitas vezes aos alunos das mais diversas áreas. Preenchi esta lacuna na formação do pesquisador brasileiro através não só da minha própria experiência em campo, mas também do convívio com outros pesquisadores e de diversos treinamentos fornecidos por órgãos de apoio ao meu projeto.

Um professor de administração pública vai a uma favela no Rio para compreender como funciona a administração daquele espaço. Um professor vai a uma escola sondar alunos sobre diferentes abordagens didáticas. Um psicólogo precisa rever suas sessões de terapia com um paciente específico para verificar o contexto de algum ato-falho. Um biólogo vai a Amazônia para mapear e descrever a diversidade de peixes do Alto Tiquié, mas depende em grande parte do saber tradicional, que se constrói na região por relatos de conhecedores que possuem cultura oral. Um linguista visita um vlog para colher dados do português atual e estudar determinada estrutura. Uma fonoaudióloga acredita que seu paciente esteja anteriorizando algumas consoantes e precisa gravar algumas sessões para entender o contexto em que isso acontece. O que todos esses profissionais tem em comum é a necessidade de lidar com um material que não está estático, parado – mas está fluido, na forma de áudio ou vídeo, ocupando espaços exorbitantes em HD e ‘presos’ em uma cronologia do evento. Apesar de a academia em todo o mundo recorrer cada vez mais à gravação de situações reais, provocadas ou a entrevistas para suas análises, vemos que os pesquisadores não estão preparados para lidar com este tipo de material. Existem hoje, porém, recursos para lidar com este tipo de trabalho de forma eficiente e eficaz. Este curso foi pensado na divulgação e treinamento de recursos para que pesquisadores não encarem a produção de conhecimento envolvendo a voz do outro como um ‘problema’, mas sim como uma oportunidade enriquecedora.

Recursos Metodológicos:

O curso caminha por dois módulos que levarão o aluno a compreender os desafios do trabalho com dados multimídia e a avaliar as soluções para cada desafio do ponto de vista de sua pesquisa pessoal. Embora a estrutura esteja bastante encaixada, alterações em função do interesse da turma são previstas.

Cada módulo será encaminhado em quatro etapas: (i) apresentação de um ‘problema’, (ii) exposição teórica sobre as soluções existentes para este problema, (iii) apresentação de uma ferramenta útil para facilitar a solução das questões levantadas e (iv) reflexão – através de debate ou exercício – acerca das limitações e dos ganhos das soluções apresentadas.

I. De onde vem os dados e a quem eles pertencem? O que é o trabalho de campo, os erros e acertos da sua história. Conceituação da pesquisa de campo e a iniciativa de inclusão de pesquisadores. Discussão sobre as responsabilidades éticas do trabalho com seres humanos.

             Ferramentas: Arbil (gerenciamento de metadados) e Plataforma Brasil.

 Debate e exercícios: A importância de se preocupar com a formação de uma equipe pesquisadora entre os ‘consultores’. A redação dos projetos de financiamento: porque devemos promover pesquisa participativa e oferecer contrapartida.

 Como coletar dados orais? Técnicas de filmagem e gravação de áudio/vídeo para acervo: tipos de microfone e filmadora; extensões e conversões de arquivos; requisitos de qualidade (best practice standards). Como tornar o saber internalizado dos seus consultores um conhecimento ativo na pesquisa? Sobre custo e benefício de ferramentas de gravação. Fluxograma de trabalho com arquivos multimídia; os arquivos-mãe e os arquivos-filho; metodologias de back-up; permissões de acessibilidade dos dados colhidos. Debate e exercícios. Encerramento.

Ferramentas: ELAN (programa de transcrição e anotação de vídeo e áudio que gera legendas) e suas interfaces: ‘File Rename’, ‘Handbrake’, VLC, Praat, FLEx, LexiquePro, Toolbox.

Debate e exercícios: Avaliação das minorias nacionais e do conceito da pesquisa de ‘campo’ na cidade. Treinamento nas interfaces entre os programas com simulação de situações de pesquisa.

Os programas básicos apresentados são gratuitos. Todas as sessões contarão com uma leitura básica (essencial para acompanhar o curso) e um repertório de leituras adicionais (sugestões para quem se interessar em aprofundar um tema específico), garantindo que todos consigam acompanhar em seus respectivos níveis de engajamento. As aulas são montadas com muita objetividade mas contam com histórias de pesquisas que oferecem uma visão crítica do papel do pesquisador que trabalha com dados multimídia na sociedade brasileira de que fazemos parte.

Estudantes e pesquisadores que trabalhem com material multimídia, como entrevistas, depoimentos e elicitações. Sejam alunos de graduação, pós-graduação ou profissionais pesquisadores, das mais diversas áreas, como letras, psicologia, administração e pedagogia.

Duração: 2 sessões (total de 16h)
Horário: Sábados, de 8h a 17h
Data: 1º e 29/JUL/2017

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