DESMEDICALIZAÇÃO DA INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA

Dia 29 de setembro de 2018

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Segundo a Interfarma, a indústria farmacêutica é a que mais cresce no Brasil, chegando a 13% ao ano. Associada
aos novos diagnósticos produzidos através do DSM – Manual Estatístico dos Transtornos Mentais – tal mudança
vem transformando as práticas em saúde mental de dois modos: primeiro, com a sistematização dos diagnósticos, e
segundo, com a facilitação do acesso ao diagnóstico psiquiátrico e, por conseguinte, aos medicamentos psicotrópicos. Tal fenômeno chama-se medicalização.
A vida cotidiana, na esteira deste processo, passa a demandar atenção e tratamento em saúde mental, e com  facilidade familiares, crianças e adolescentes são pegos nas tramas medicalizantes; especialmente através de
preocupações com os ditos ‘problemas escolares’, de comportamento ou de aprendizagem. Aqui os Transtornos de
Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno Opositivo Desafiante (TOD) são populares, assim como
os medicamentos Ritalina (Metilfenidato) e Tofranil (Imipramina).
Nos últimos anos nota-se que o uso indevido e/ou abusivo de medicações psicotrópicas tem ocorrido com freqüência em crianças e adolescentes; seus efeitos são muito prejudiciais a saúde e poucos pudemos mensurá-los até o momento.
Debater e problematizar a medicalização, assim como desenvolver estratégias desmedicalizantes é um tarefa para a saúde mental. Sensibilizar os estudantes, familiares e professores é tarefa das instituições de ensino do Brasil.

  1. Objetivo
    1. Objetivo Geral:
      Conhecer o panorama da medicalização no Brasil, sua atualidade, prática e efeitos, bem como pensar e debater novos modos de lidar com o uso indevido de diagnósticos e medicações;
    2. Objetivos Específicos:
      Debater Transtorno Mental e Normalização; Pensar outros modos de praticar acolhimento em saúde mental infanto juvenil.
  2. Conteúdo programático
    1. Curso desenvolvido a partir da dissertação de mestrado (UFF, Psicologia, 2017), onde buscou-se desenvolver estratégias desmedicalizantes em um ambulatório de saúde mental do SUS entre o ano de (2013-2016).
      Os autores envolvidos nessa problematização são psicanalistas envolvidos com a infância e a adolescência, dentre eles Winnicott e a Mannoni; assim como o educador francês Fernand Deligny e o esquizoanalista Felix Guattari.
      Outras indicações metodológicas são as publicações nacionais como Pistas para um método cartográfico (Ed. Sulina, 2009).
      A prática clínica relatada no curso foi desenvolvida sobre uma crítica aos diagnósticos da Associação de Psiquiatria Americana (DSM, 2015).
      A abordagem do curso é crítica e clínica: crítica aos processos contemporâneos de medicalização, e clínica
      enquanto praticar de acolhimento de crianças e adolescentes na saúde mental.
  3. Coordenação
    1. Pedro Almeida
      Titulação: Mestre em Psicologia, subjetividade, política e exclusão social.
    2. Descrição de sua experiência acadêmica e profissional:
      Psicólogo (UCP, 2014), ex membro do Fórum do Campo Lacaniano (2011/2014). Trabalhou como clínico no Departamento de Saúde Mental – Petrópolis/RJ (2013/2016), tendo passagem pelo Ambulatório e pelo CAPS – Núbia Helena.
      Mestre em Psicologia na Universidade Federal Fluminense (UFF), na linha de pesquisa Subjetividade, Política e Exclusão Social (2015/2017); pesquisador participante no grupo Mídia e Psicologia (UCP 2014/2017), pesquisador participante no Grupo de pesquisa ‘participação e direitos humanos em saúde mental: efeitos da experiência de um grupo de gestão autônoma da medicação’ (UFF – 2017).
      Colaborador no Conselho Regional de Psicologia; atuou no Conselho Municipal Saúde, na Comissão de Saúde Mental e no Conselho Municipal de Políticas sobre drogas (Petrópolis, 2015 2018).
  4. Público-Alvo
    1. Público-alvo: Alunos de psicologia e profissionais da saúde mental.
      O curso proporciona debates que buscam instrumentalizar profissionais para situações em que ocorra uso indevido de diagnósticos e medicações; e também para aquelas situações em que o uso prolongado torna-se prejudicial à saúde dos familiares, das crianças e dos adolescentes.
  5. Carga horária e investimento
    1. Total do curso: 8 horas
      Investimento: R$ 100,00
  6. Período e periodicidade
    29 setembro de 2018
  7. Metodologia
    1. Metodologia de aulas em roda, com uso de elementos textuais (poesias, conceitos, entre outros)
      1 – Apresentação do curso e do roteiro de estudo;
      2 – Introdução e sensibilização aos problemas da medicalização da infância e adolescência;
      3 – Problematizando transtornos mentais à partir de casos clínicos;
      4 – Estratégias de acolhimento em Saúde Menta: promovendo saúde;
      5 – Atitude Desmedicalizante.
      Estes tópicos orientarão o curso ao longo de 8h de trabalho.
  8. Critério de seleção
    1. Alunos de psicologia e profissionais da saúde.