A criação de um corpo-terapeuta: desconstruindo idealizações e experimentando outros modos possíveis.

Dia 06 de outubro de 2018 – Sábado

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Tanto no cotidiano da prática clínica quanto nos grupos onde atuamos como supervisoras, temos nos deparado com as idealizações acerca da atividade psicoterapêutica produzidas nos processos formativos.
Idealizações essas que, entre outros fatores, parecem ser produzidas em nome de uma suposta necessidade de neutralidade atrelada simultaneamente ao consumo de técnicas que garantiriam a segurança e o sucesso profissional.
Esse quadro parece ganhar uma maior intensidade quando reforçado pelas demandas mercadológicas que atravessam tanto os pacientes quanto os terapeutas, em processos onde os primeiros demandam soluções imediatas para seus conflitos, as quais, por sua vez, convocam permanentemente esses profissionais a investirem na construção de habilidades técnicas, muitas vezes apartadas da produção do cuidado de si e do outro.
Esse cenário tem contribuído significativamente para a produção do sofrimento desses profissionais, que desprovidos de espaços de encontro consigo, se afastam das possibilidades de problematização das práticas acima mencionadas e da construção de diversas e singulares possibilidades do fazer clínico.
Diante disso, acreditamos ser fundamental compreender o processo terapêutico em sua função de acompanhamento, que inclua não só a transformação da vida do outro, mas que através do exercício do co-corpar possa redimensionar a prática clínica incluindo a produção do vínculo como aspecto necessário e desejável para esse fazer.

  1. Objetivo
    1. Objetivo Geral: A partir de experimentações corporais, promover o debate acerca do posicionamento técnico e ético-político do psicoterapeuta no manejo do vínculo produzido no encontro clínico.
    2. Objetivos Específicos:
      1. Debater a questão da neutralidade e as idealizações da atividade do psicoterapeuta corporal na contemporaneidade;
      2. Debater as exigências de eficácia, utilidade e resolutividade diante das demandas clínicas produzidas na atualidade;
      3. Promover espaço de compartilhamento das angústia de ser psicoterapeuta;
      4. Experimentar outro modos de atuar na clínica, através do exercício de co-corpar.
  2.  Conteúdo programático
    1. A concepção do programa baseia-se na necessidade de problematizar a Psicologia como uma ciência neutra, dada a importância fundamental de incluir o vínculo entre terapeuta e paciente na produção do cuidado.
    2. Diante de um contexto social que produz uma liquidez das relações, marcada pela descartabilidade e efemeridade dos vínculos, fatores responsáveis por grandes padrões de sofrimento, acreditamos que atuar fortalecendo esses padrões é manter o outro no mesmo lugar que o faz sofrer.
    3. A partir dessa perspectiva, torna-se fundamental repensar o olhar do profissional da psicologia para si, no contato com o outro. Ressignificando os lugares idealizados de assepsia e distanciamento relacional, sem no entanto comprometer o rigor técnico – metodológico.
    4. Para tanto, utilizaremos conceitos e técnicas da abordagem Reichiana e da Psicologia Formativa de Stanley Keleman.
  3. Público Alvo
    1. Alunos e profissionais de psicologia interessados no desenvolvimento e aperfeiçoamento do exercício da atividade clínica pela via das psicoterapias corporais.
      Número de vagas: 20
  4. Coordenação
    1. Professora Camila Alves e Raphaella Daros
      1. Mestre em Psicologia e Doutora em Psicologia.
      2. Psicóloga e Mestre em Psicologia, formada pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
      3. Tem experiência em Acessibilidade Estética em Espaços Culturais.
      4. Atua como Psicoterapeuta Reichiana e leciona na graduação de psicologia das Faculdades Integradas Maria Thereza (FAMATH).
      5. Psicóloga (UFES), Mestre em Saúde Coletiva (UFES) e Doutora em Psicologia (UFF).
      6. Tem experiência em Saúde do Trabalhador e Processos de Participação Social.
      7. Coordena o grupo de Estudos e Movimento: “Corpo, clínica e cuidado: conversas esquizoanáliticas com Keleman”.
  5. Carga horária e investimento
    1. O curso será realizado em um turno matutino e um turno vespertino, contabilizando um total de 8 horas, no dia 06 de outubro (sábado) de 2018.
    2. O investimento financeiro sugerido é de R$120,00 por participante, com desconto de 10% para alunos e ex-alunos da FAMATH
  6. Período e Periodicidade
    1. O curso tem duração de 8 horas e será realizado em um sábado.
    2. Início: 8H
      Intervalo para almoço: 12:00h – 13:00h
      Encerramento do curso: 17:00h
  7. Metodologia
    1. Exercícios de sensibilização corporal em grupos, que funcionarão como dispositivos de experimentação direcionados aos debates teórico-conceituais e ético propostos.
  8. Critério de Seleção
    1. A seleção se dará mediante a realização da inscrição.